Alugar ou Comprar: Qual é Melhor?

Vale mais a pena comprar ou alugar? Se digitarmos essa pesquisa no Google, muito provavelmente os principais resultados da busca estarão relacionados a imóveis. Mas apesar de, por muitos anos, eles serem os principais bens que podíamos alugar, essa realidade felizmente vem mudando.

Agora não podemos simplesmente alugar imóveis ou veículos. Também podemos alugar ferramentas, garagens, patins, bicicletas. Podemos alugar livros, brinquedos, mochilas, malas, barracas de acampamento e até mesmo roupas.

Já conhece as principais plataformas para alugar itens? Listamos elas aqui.

De repente aluguel

Mas por que será que "de repente" passamos a pensar que tudo pode ser alugado? Por que não tivemos essa "ideia" antes? O que aconteceu para perdemos a resistência ao compartilhamento de itens, muitas vezes pessoais, com quem sequer conhecemos?

Segundo nossas pesquisas, tivemos uma mudança clara e brusca de paradigma a partir de 2008, quando houve aquele estouro da bolha imobiliária norte-americana. A partir dali, vimos que nosso modo de vida, baseado no consumo desenfreado, estava prejudicando nossas vidas e o mundo em que vivemos.

Então, com o despertar da consciência ambiental, que já vinha engatinhando desde os anos 90, e do avanço da tecnologia, começamos a abrir a cabeça para a economia compartilhada.

Nessa altura do campeonato, você já deve saber que a economia compartilhada, ou consciente, ou colaborativa, é uma tendência de consumo em comunidade. Ou seja, você tem acesso a determinado item sem necessariamente comprá-lo. Bem na linha do minimalismo, sabe?

Se você não conhece o minimalismo, dá uma olhada neste nosso post sobre o conceito.

Essa tendência pode gerar renda para quem promove o compartilhamento e economia para quem opta em usufruir dele pagando algo por isso. E claro, pagando menos do que se comprasse algo novo / zerado.

De quebra também acaba ajudando o planeta, pois promove uma diminuição da demanda por produção de bens que teriam que ser produzidos a partir da extração de recursos naturais. 

Se você compartilha um carro, por exemplo, está exigindo menos produção de aço, borracha, couro sintético e possibilitando que haja menos emissão de gases CO² que provocam o aquecimento global.

Isoladamente o efeito parece ser irrisório. Mas pense toda essa economia em cadeia, por parte dos 7 bilhões de moradores do planeta?

Com este resuminho, imaginamos que você já tenha entendido por que a compra começou a perder o espaço para o aluguel. 

Que fique claro que não estamos dizendo que a economia compartilhada está acabando com as compras. Mas que ela mudou a forma com que as pessoas as veem e a forma que elas são feitas hoje em dia.

Compartilhar em vez de comprar

Para quem aluga/compartilha um item para terceiros, há benefícios como:

- Aproveitamento de itens não usados
- Otimização de espaço
- Ganho de renda extra e outros benefícios decorrentes dessas questões.

Quer saber como ganhar renda extra com a economia compartilhada?

Já para quem aluga/compartilha itens de terceiros, podemos pontuar benefícios como:

- Economia de dinheiro
- Economia de tempo
- Economia de espaço - E até acessibilidade, pois pode acabar podendo usufruir de algo que jamais conseguiria se tivesse que comprar aquilo.

Já pensou se tivéssemos que comprar uma lancha para poder fazer um aniversário no mar ou um helicóptero para voar por aí? 

Nossa Aloogie, que sem noção esses exemplos. 

Sim, foram exemplos exagerados e fora da realidade de muitas pessoas. Mas colocamos eles aqui justamente para mostrar que são o topo de uma pirâmide bem mais simples e habitual.

Muita gente que não poderia comprar um carro pode andar de Uber ou pegar uma carona com o BlaBlaCar. Muita gente que não poderia pagar um hotel pode usar Airbnb. Muita gente que não podia ter computador, pode (ou podia) usar uma lan house. Muita gente que não pode comprar um carro para uso individual pode simplesmente alugar quando necessário. 

Perceba que falamos em "poder" aqui. Mas nem sempre é por "não poder". Muitas vezes é por "não querer". Ou por entender que "não precisa". Justamente pelos fatores que falamos lá em cima. 

Então vamos parar de comprar para alugar?

Não necessariamente. A mudança de paradigma que estamos falando é que antes, por causa da forma de publicidade, propaganda e marketing envolvidos no comércio de bens e serviços como um todo, nos faziam acreditar que precisávamos a todo custo comprar para ter prazer, felicidade e bem-estar.

Hoje isso está mudando.

Entendemos finalmente que comprar não é sinônimo de felicidade e que é possível sim ter acesso a objetos de desejo - e realmente necessários por nos oferecerem algum benefício essencial, como moradia, deslocamento e hospedagem - de forma racional e sem explorar ainda mais o nosso calejado meio ambiente.

Que é possível reduzir os impactos ambientais, viver a sustentabilidade e manter nosso mundo em equilíbrio, para a própria sobrevivência humana e de todas as outras formas de vida no futuro.

Senão, vejamos.

Pesquisa aponta mudança no perfil de consumo dos brasileiros

Uma pesquisa realizada por Veja Insights e EY Parthernon no meio de 2020 quis entender como estava a questão do consumo das pessoas em pleno primeiro ápice da pandemia do novo coronavírus no Brasil.

Na oportunidade, foram entrevistados mais de 1.000 consumidores entre 18 e 65 anos de todas as classes sociais.

Em tempo: a EY é líder global em serviços de Auditoria, Consultoria, Impostos e Estratégias e Transações. Ela está sediada no Reino Unido e opera no Brasil.

Menos consumo

- 54% dos entrevistados passaram a comprar apenas o essencial. O padrão de consumo se voltou muito para itens realmente importantes, como comida e papel higiênico.

- 52% também disseram que passaram a comprar com menos frequência, no geral, enquanto 41% passaram a se conectar mais com familiares e amigos, 71% disseram que vão se preocupar mais com questões ambientais na hora de adquirir algo.

- Em relação às preocupações futuras, 68% disseram que vão diminuir os gastos em bens não essenciais, como vestuário, e 64% afirmaram que sofreram mudanças em seus valores pessoais e na forma como enxergam a vida.

- Incríveis 78% disseram que serão mais cautelosos com seus gastos e 70% prometeram que vão prestar mais atenção ao impacto social dos produtos que compram e consomem.

- 77% falaram que vão economizar mais.

Sustentabilidade

A pesquisa também analisou a preocupação dos entrevistados com os impactos ambientais e sociais dos produtos e serviços que consomem. 

- 65% disseram que a sustentabilidade envolvida no processo do produto que vão adquirir vai contar bastante na hora de decidir por qual consumir. 

- 45% dos entrevistados ainda disseram que vão pagar mais por bens e serviços mais sustentáveis.

- 32% dos entrevistados disseram que a sustentabilidade está entre os principais os itens que mais vão valorizar ao menos pelos próximos cinco anos, o que faz com que ela vença fatores como tempo, serviço, conveniência e autenticidade.

Tecnologia que incorpora a vida real

As tendências de consumo sempre acompanharam os hábitos das pessoas. 

E se as pessoas tendem hoje a mais alugar do que comprar, por razões já pontuadas lá em cima, não faltam sites, aplicativos, grupos, fóruns, comunidades e outros tipos de plataforma para ajudar todo mundo a conseguir aquilo que precisa na hora em que precisa e pelo valor ou pela condição que mais faz sentido para cada caso.

Vamos dar alguns exemplos aqui embaixo:

- O Aloogie é um aplicativo de economia compartilhada que aproxima pessoas que tem itens para alugar de quem precisa deles. Ele possibilita o aluguel de qualquer coisa e possui diversas categorias que podem ser exploradas. Algumas delas são ferramentas, esportes, brinquedos, itens para pets, roupas e acessórios, entre outras.

- O Armário Compartilhado permite alugar vestidos de festa. O próprio site estima que a cada 15 locações já dá para recuperar o valor integral da peça colocada para aluguel. Em caso de manchas ou outros danos é cobrada, justamente, uma multa.

- O Volume4Trip é voltado aos viajantes e permite o aluguel de suportes para bicicletas, racks para tetos, bagageiros, suportes para equipamentos de esportes aquáticos, suportes para equipamentos de esportes de inverno e malas para bicicletas.

- A OkiPoki é uma empresa de aluguel de brinquedos voltada para crianças de um a três anos de idade e permite o aluguel de ursinhos, carrinhos, bonecas e bonecos, jogos educativos, cadeirinhas para carro e para alimentação.

- O Spinlister é um serviço de aluguel e compartilhamento de bicicletas e também pranchas de surf, SUP, snowboard e esquis. A plataforma funciona em todo o mundo.

Está vendo como os serviços de aluguel baseados na economia compartilhada estão com tudo? 

Isso porque a lista acima é apenas um “esquenta”, com informações bem resumidas de cada serviço. Se você quer conhecer todos os detalhes sobre as plataformas, fizemos este post com um guia super útil para quem ganhar dinheiro alugando coisas ou economizar dinheiro alugando essas mesmas coisas disponibilizadas por seus respectivos donos. Dá um confere!

Projeto Compre Nada

Para finalizar e ilustrar nosso amor pela economia compartilhada, separamos uma história real bem bacana que ilustra o movimento pelo qual estamos passando. Mas antes só queríamos reforçar novamente que não condenamos as compras. Apenas acreditamos na importância da ressignificação delas, ok?

Voltando ao post, a ideia de comprar menos está tão em alta que chegou a provocar o nascimento de um movimento internacional. 

Ele é chamado de Buy Nothing Project, ou projeto Compre Nada, e surgiu nos Estados Unidos em 2013 quando duas amigas criaram um pequeno grupo on-line em que os participantes deveriam negociar objetos e serviços sem que houvesse dinheiro no meio da história.

Saiba que esse movimento está dentro da chamada Economia do Presente, ou Economia Gratuita, um conceito baseado estritamente nos empréstimos na brotheragem.

Na prática, as pessoas publicam no grupo coisas que desejam dar ou emprestar e pedem o que gostariam de receber (que não seja dinheiro!). As principais trocas que acontecem envolvem móveis, roupas, eletrodomésticos, alimentos preparados na hora e caronas.

De acordo com a BBC News Mundo, que entrevistou as fundadoras, a ideia se espalhou rapidamente pelo Facebook e novos grupos começaram a surgir em dezenas de países. Hoje, estima-se que o movimento possua 1,5 milhão de participantes e que conta com o apoio de 10 mil voluntários.

Além do benefício do empréstimo, os participantes afirmam que mais importante do que o compartilhamento de coisas é o relacionamento genuíno entre as pessoas que o Buy Nothing Project faz germinar. Que fofos!

E aí, é melhor alugar do que comprar? 

Fala pra gente o que você pensa sobre isso. Queremos realmente te ouvir!

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