Como Utilizar Apps de Economia Compartilhada e Garantir a Sua Segurança?

No mundo em que vivemos, cada vez mais hiperconectado, tudo muda absolutamente rápido e novas soluções de produtos e serviços surgem a cada instante. O que torna natural que, em primeiro momento, as pessoas, sobretudo as mais velhas, tenham medo e desconfiança do novo e dos interesses que há por detrás dele. Com a economia compartilhada (economia colaborativa ou consumo colaborativo) também não é diferente. Mas em seguida, vamos te explicar por que ela é segura. Continue com a gente.

Contextualizando

Antes da economia compartilhada (se você não sabe bem o que ela é, por favor veja nosso artigo explicando como o ela surgiu, por que e os principais exemplos), praticamente todas as soluções de produtos e serviços eram concentradas nas mãos de poucas empresas – muitas delas grandes e tradicionais. Os hotéis, pousadas e resorts dominavam o setor de turismo e hospedagem. Os táxis dominavam o setor de mobilidade urbana junto com o transporte público. Os bancos dominavam o setor financeiro. E assim sucessivamente. Mas aí vieram os principais expoentes da economia compartilhada (aqui vamos citar os casos no Brasil) e provocaram uma verdadeira disrupção nesse sistema. Podemos citar o Uber, o 99 e o Cabify (na mobilidade urbana), o iFood, o UberEats e o Rappi (no serviço de entrega de comidas e bebidas), o MercadoLivre (na logística), o Nubank e o Inter (no sistema financeiro), o Airbnb (no setor de hospedagem). Mas ainda há outros inúmeros exemplos em outras inúmeras áreas. Nos limitamos a esses apenas para garantir que estamos com a mesma linha de raciocínio. Tá bom? Continuando, conforme dissemos no início deste artigo, é natural que muitas pessoas desconfiem do “novo”. Ainda mais um “novo” mediado pela tecnologia e que normalmente oferece preços mais competitivos, por produtos e serviços com mais valor agregado e com melhor atendimento. Aí que buga mesmo a cabeça das pessoas. É aquela velha história de que quando o milagre é demais, o santo desconfia!

Maioria já usou, mas metade tem receio

Uma pesquisa feita pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas ) e pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) nas 27 capitais do país, e que a gente adora citar, dado seu espectro amplo e assertivo, materializa essa desconfiança. Apesar de 74% dos entrevistados já terem utilizado soluções que envolvem a troca ou compartilhamento de bens e serviços pelo menos uma vez na vida e do fato de 88% deles acreditarem que as práticas vêm ganhando espaço na vida das pessoas (práticas como caronas, aluguel de imóveis, compartilhamento e locação de roupas, coworking, aluguel ou troca de brinquedos e hospedagem de animais de estimação), o levantamento indicou que o medo realmente existe. Infelizmente, apesar do crescimento e da popularização da economia colaborativa, os serviços compartilhados, enfrentam barreiras culturais e resistência por parte de algumas parcelas de consumidores. Um total de 45% dos entrevistados afirmou que tem medo de ser passado para trás. Já 43% disseram que acreditam faltar informação. Ao mesmo tempo, 38% revelaram ter medo de lidar com pessoas estranhas e 33% disseram não vislumbrar garantias no caso de descumprimento do acordo. O receio de algumas parcelas de entrevistados é tanto, que eles chegaram a mencionar os serviços que eles jamais topariam compartilhar. O total de 41% dos entrevistados afirmou que jamais compartilharia moradia. Já 33% não compartilhariam roupas e 32% não compartilhariam residência por temporada. Entre esses, há receios relacionados a lidar com estranhos, mas também medo de terem seus bens danificados.

Quem tem medo da economia compartilhada?

As preocupações dos usuários dos serviços de economia colaborativa são legítimas e indicam, claramente, que há necessidade constante do aprimoramento da segurança nos serviços de compartilhamento. É também consenso de que a confiança (em estranhos, como bem identificou a pesquisa da CNDL e do SPC Brasil) ainda é o ponto crítico da economia compartilhada, mas ao mesmo tempo ela é vista como a fiel da balança. Ou seja, é o aumento dessa confiança que vai ajudar a economia colaborativa a crescer na medida em que o setor se expande e que as pessoas ficam mais confortáveis com a grande variedade de produtos e serviços oferecida pelo modelo de negócio.

Tecnologia e transparência para conquista da confiança

Outro consenso é de que a tecnologia é a maior aliada para garantir esses avanços, por meio de sistemas como a classificação das partes envolvidas na prestação do serviço. A peer to peer, como as notas de motoristas de Uber, por exemplo, são usadas por praticamente todas as empresas da economia colaborativa e já definem se a relação de consumo irá existir. Como assim? Bem, uma pesquisa da Vendasta, uma empresa especializada em vendas de soluções tecnológicas, identificou que 40% dos consumidores formam sua opinião sobre um negócio após lerem três avaliações. Esse levantamento indicou ainda que os consumidores leem cerca de dez avaliações antes de decidir uma compra. Ou seja, basicamente essa entrevista quer dizer que você não está sozinho(a) – nem errado(a) – naquele hábito corriqueiro de classificar os restaurantes do Airbnb pelas classificações (maiores para menores) ou de cancelar uma viagem “pega” por um motorista com menos de 4,8 estrelas no Uber. Da mesma forma, dificilmente um motorista do BlaBlaCar irá aceitar dar carona para um passageiro mal avaliado e/ou com depoimentos negativos ou um cliente da Workana ou do 99Freelas irá contratar um freelancer com baixa avaliação – e reputação.

Nos julgue

As empresas da economia compartilhada entendem ainda que vocês, consumidores, precisam e devem ser protegidos. Por isso, estão cada vez mais sedentas por feedbacks (sugestões, dúvidas, críticas...), essenciais para a identificação e solução de problemas de inúmeras naturezas, e preocupadas em oferecer transações seguras, transparentes e sem conflitos. Felizmente, o mercado está atento a essas preocupações e tem, cada vez mais, criando soluções que vão de encontro a essas necessidades, verificadas especialmente nas gerações mais novas. A seguir, vamos citar alguns exemplos bem-sucedidos de protocolos de segurança pensados pelas empresas do consumo colaborativo, que mostram como a preocupação com a integridade das partes envolvidas só tem crescido.

Uber

O primeiro exemplo é da Mãe Uber. Mãe porque enquanto escrevíamos este artigo, recebemos uma notificação no nosso app ressaltando que a empresa foi considerada a empresa mais segura para viajar durante a pandemia pelos brasileiros.  Muito vidente sim! A referida pesquisa foi feita pelo Datafolha (e encomendada pela própria Uber) e ouviu mais de 3,2 mil pessoas em todas as regiões brasileiras entre os dias 16 de setembro e 7 de outubro de 2020. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos (sim, igual nas pesquisas de intenção de voto).  Segurança sanitária A pesquisa constatou que o medo do coronavírus faz as pessoas tentarem evitar aglomerações. Quem não tem veículo próprio respondeu que prefere a bicicleta para se locomover (38%) ou então aplicativos de mobilidade (35%) e táxis (9%). Essas pessoas também relacionaram as medidas de segurança que mais apreciam no uso de apps de transporte. Destacaram-se a necessidade de uso de máscara por passageiro e motorista (e às vezes a Uber exige selfie para provar que o uso acontece de fato); saber que o carro foi higienizado e ter álcool em gel para higienização das mãos dos usuários e motoristas; O legal é que essa pesquisa também identificou que 61% das pessoas acreditam que o hábito de uso de aplicativos de mobilidade vai aumentar. E 46% delas consideraram o Uber o aplicativo de mobilidade mais seguro.  A 99 ficou em segundo lugar.

U-Elas

Para deixar as usuárias mulheres mais confortáveis, a Uber também tem expandido o recurso U-Elas. Trata-se de uma modalidade que permite que motoristas mulheres só aceitem chamadas de passageiras. A iniciativa, segundo a Uber, é para diminuir a diferença do número de parceiras mulheres em relação aos parceiros do sexo masculino - já que a plataforma também oferece curso e condições especiais de aluguel de veículos - mas acaba contemplando mulheres que se sentem inseguras na presença de homens por medo de assédio e outros crimes.

Segurança física

Além disso, existem várias outras funcionalidades na Uber para ajudar a garantir a segurança de usuários e motoristas. É possível, por exemplo, compartilhar o status da corrida para amigos e familiares (de maneira que eles consigam acompanhar todo o trajeto) e a solicitar um código para confirmar se você está no carro certo. Outro item, não menos importante, é um botão do pânico que aparece durante as viagens e possibilita acionar a Polícia ou a central da Uber caso ocorra alguma situação crítica.

Outros exemplos

Outra empresa que mostra que está preocupada sim com a segurança dos usuários, e isso evidentemente inclui os pets, é a DogHero - uma empresa brasileira que possibilita hospedagem, creche e serviços de passeios e pet sitter para cães e, em alguns casos, animais como gatos, aves, peixes e roedores. Além da possibilidade de escolher somente cuidadores bem avaliados e com boa reputação, a DogHero faz questão de exaltar que cobre eventuais despesas com veterinário durante a prestação do pet sitter (em até R$ 5.000) e oferece suporte para qualquer necessidade antes, durante e depois do serviço contratado por meio da plataforma. Esse tipo de iniciativa (disponibilização de seguro em caso de situações adversas) tem se tornado tendência nos últimos anos para reforçar a preocupação genuína das empresas baseadas na economia compartilhada com seus usuários.

Muitas das empresas da economia compartilhada dispõem de seguro

Apesar de estar com as atividades paralisadas, a mexicana Grin (empresa de patinetes elétricos que depois se fundiu com a brasileira Yellow, se tornando a Grow) utilizava apólices de seguro para os usuários - algo hoje utilizado por outros aplicativos de mobilidade. Locadoras de carros compartilhados como a MoObie também contratam apólices que cobrem acidentes pessoais, danos, furtos e roubos. Na outra ponta, as seguradoras estão frequentemente pensando e lançando soluções em coberturas específicas para segmentos da economia compartilhada, como no caso do coworking, no qual oferecem proteção contra furto e roubo de equipamentos dos locatários durante a ocupação do espaço. Até mesmo coberturas voltadas à anfitriões (uma espécie de seguro residencial para clientes que locam imóveis para serviços de hospedagem, como Airbnb) já podem ser encontradas, em caso de danos causados por hóspedes a eletrodomésticos e móveis, por exemplo.

Buser

E o que dizer da Buser? Para quem não conhece ainda, a Buser é uma alternativa que se descreve como segura e moderna às tradicionais formas de transporte rodoviário. A empresa, que atende 160 destinos brasileiros, conecta pessoas que querem viajar para o mesmo destino com empresas de fretamento executivo, fomentando a mobilidade urbana e criando uma nova opção de transporte segura, de qualidade e a preços considerados mais justos. Em seu site, a Buser ressalta que as viagens intermediadas pela plataforma são "duplamente" seguras. Ou seja, a empresa utiliza tanto o seguro obrigatório da transportadora quanto um seguro especial da própria Buser. Ela também afirma fomentar uma série de medidas adicionais de segurança para seus parceiros e os usuários, como a implementação de telemetria e alarmes de velocidade nas frotas utilizadas. Outra questão que a Buser transparece diz respeito à parte burocrática. A empresa garante publicamente que todos os seus parceiros são regulares e possuem as devidas autorizações para operarem o serviço de fretamento junto ao órgão regulador federal (ANTT - Agência Nacional de Transportes Terrestres) e aos órgãos estaduais correspondentes (como DER - Departamento de Estradas de Rodagem), jogando por terra suspeitas como a prática de transporte clandestino - uma das causas de um grave acidente de ônibus que aconteceu no dia 4 de novembro de 2020 em João Monlevade (MG), matando 19 pessoas.

Sim, a economia compartilhada é segura

Como você pôde ver no decorrer do nosso artigo, a economia compartilhada é um modelo de negócio que, da mesma forma que apresenta constante crescimento, também dispõe de uma proporcional necessidade de sofisticar seus mecanismos de segurança para atender plenamente às necessidades do nosso tempo. Acreditamos fielmente, e as pesquisas vêm apontando isso, que o brasileiro está deixando de aderir ao consumo colaborativo de forma tímida e está passando a se interessar por ela e suas soluções de uma forma mais natural. Afinal de contas, a economia compartilhada traz, em sua essência, uma nova forma de encarar as coisas e, mais cedo ou mais tarde, praticamente todos nós tendemos às novas experiências. Não à toa, o consumo colaborativo é bem visto por quase 80% da população segundo aquela pesquisa da CNDL e do SPC Brasil. E você? Quais são os mecanismos de segurança mais bacanas que já viu numa empresa baseada na economia compartilhada? Conte aí para a gente. Estamos ansiosos para saber.