Você sabe o que é ter um estilo de vida minimalista? Descubra tudo sobre esse conceito!

Encontrar-se e conectar-se com o que de fato é importante e ainda ajudar o meio ambiente questionando a sociedade consumidora é uma ideia que faz sentido para você? Se sim, saiba que este é um resumo do que chamamos de minimalismo.

O minimalismo nasceu como corrente artística no século passado, mas hoje se tornou um estilo de vida para indivíduos que identificaram o quanto nossa forma tradicional de consumir pode deteriorar nossas vidas, nossos recursos e colocar em xeque a vida no planeta.

Para se ter uma ideia, um estudo concluiu que se todos vivessem da mesma forma que um alemão classe média, seriam necessários quase três planetas Terra; se vivessem como americanos, quase cinco. Essa pesquisa foi divulgada pela Global Footprint Network, que calcula as consequências das atividades humanas na Terra.

Ser em vez de ter

Segundo especialistas no assunto, uma das manifestações do minimalismo é se desfazer daquilo que não se usa, de maneira a fazer com que o “ser” se sobressaia sobre o “ter”. Daí também aquela ideia de “menos é mais”.

Ou seja, o minimalismo é também uma forma de autoconhecimento, pois esse ato de se desfazer de bens materiais tem o poder de gerar uma reflexão sobre a importância de objetos em nossas vidas e como eles nos afetam positiva ou negativamente.

Ele busca tornar nossa vida mais simples e com mais consciência coletiva, já que passamos a buscar um consumo sustentável e uma maior inclinação a avaliar nossos desejos e necessidades.

Quando surgiu o minimalismo?

Como pontuamos superficialmente mais acima, o minimalismo nasceu como uma corrente artística do século passado e se expressava por meio de campos como música, literatura e artes plásticas.

O próprio dicionário Aurélio, que caracteriza o minimalismo genericamente como uma “predisposição para redução e  simplificação dos elementos que compõem um todo” também enumera os múltiplos significados do minimalismo de acordo com o campo artístico.

No campo filosófico, ele seria rejeição a certas questões não condizentes com as exigências teóricas. Na gramática, seria  a redução a apenas dois níveis de representação: o de forma fonológica e o de forma lógica. Nas artes plásticas ele teria como objetivo reduzir os elementos da pintura e da escultura às suas formas mais simples, executadas em estilo impessoal, e que, frequentemente, se repetem. 

Já na música seria expresso como uma composição que tenta reduzir, ao máximo, os elementos e que apresenta como características harmonia estática, ritmo e repetição que seguem um padrão determinado.

O minimalismo como estilo de vida

Porém alguns fatores teriam feito com que o minimalismo se tornasse um macromovimento que se manifesta nas sociedades mundo afora, estimulado por fatores externos. 

Seriam três os principais deles:

1) A preocupação com o meio ambiente, já que nosso consumo está diretamente relacionado ao desmatamento, à extinção das espécies, à poluição dos oceanos, a distorções na camada de ozônio e ao aquecimento global;

2) A overdose de informação oriunda dos avanços tecnológicos, o que pioraria um sentimento de excesso;

3) A crise de 2008, que gerou efeitos que culminaram na reflexão de novas propostas e formas de consumir.

Também se trata o minimalismo como uma questão de busca da felicidade, de vivência com o entorno de forma consciente e significativa.

O minimalismo é visto ainda como uma libertação dos excessos para se centrar no que importa de verdade e então se encontrar a realização, a satisfação e a felicidade que todos buscam.

O campo da moda, por exemplo, está sendo muito afetado pela consciência minimalista. Há em curso uma mudança de comportamento em que as pessoas se questionam se realmente precisam de todas as suas roupas. Mas não apenas isso. Também há perguntas sobre as origens e quem as produziu.

Na maioria dos casos, as respostas para essas perguntas irão, inclusive, mudar a forma do consumidor se relacionar com as marcas, seja para o bem ou para o mal.

Famosos adeptos ao minimalismo

Há diversas personalidades adeptas ao minimalismo e que ajudam a difundi-lo, ainda que indiretamente. Entre elas podemos citar o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, conhecido por sempre usar camisetas cinzas básicas.

Em entrevistas, quando questionado sobre o fato, Zuckerberg já foi claro ao dizer que quer fazer o mínimo de decisões possíveis sobre qualquer coisa e que isso inclui como se vestir. Ele ainda disse que sente que não está fazendo o seu trabalho – de gerir dados de 1 bilhão de pessoas – se “perder tempo” com esse “tipo de coisa”.

Mas Zuckerberg não é o único. Personalidades como Barack Obama, o estilista Karl Lagerfeld (da Chanel) e o falecido fundador da Apple, Steve Jobs, também são adeptos à ideia do “mais do menos”.

A posição das personalidades acima não é exagero. Estudos indicam que tomamos, por dia, cerca de 35 mil decisões. Daí o motivo de tantos bilionários e políticos quererem se livrar de qualquer tipo de “pressão”. 

A questão é confirmada também pelo psicólogo Roy F. Baumeister, que afirma no livro “Willpower”, um best-seller, que a fadiga de decisões é uma das maiores ameaças aos nossos objetivos de vida e ao nosso poder de autocontrole.

Viver com menos realmente ajuda o planeta?

Um estudo de algum tempo atrás disse que se escolhermos um estilo de vida diferente, menos consumista e com menos coisas ao nosso redor, sim. Estaremos sendo bons para o planeta e para nós mesmos.

Mais de 60% das emissões globais de gases de efeito estufa se devem ao consumo das famílias, de acordo com tal pesquisa. Os principais vilões seriam transporte e alimentação, mas também não são descartados aqueles bens de consumo que, para serem produzidos, geram emissões de carbono.

O estudo fez ainda uma relação entre consumo familiar nos países e apontou que ele realmente é maior nas nações mais ricas – pelo fato de as pessoas de mais renda terem maior poder de compra. Há, portanto, uma relação proporcional entre mais dinheiro e mais consumo.

Porém, outras pesquisas mostram que, diferentemente do que muitos de nós pensamos, ter mais e consumir mais só aumenta nossa sensação de bem-estar até certo ponto. Então não há por que se iludir com o capitalismo desenfreado e com a ideia de que dinheiro, e posses, gera felicidade.

Minimalismo não é deixar de consumir

Como você já deve ter percebido, um dos erros registrados na modernidade é a ideia de que o minimalismo prega o fim do consumo. Não. Ele não prega. Mas faz com que o indivíduo assuma o poder de decidir sobre o que comprar, quanto comprar, quando comprar, de quem comprar, como comprar e sobre como cada item adquirido irá colaborar para sua busca pelo bem-estar.

É, portanto, uma luta diária contra as inúmeras ofertas de produtos dos ramos de eletroeletrônicos, indústria automobilística, moda e outros desejos que parecem visar à efemeridade.

Mas é liberdade

Na medida em que busca mais com menos, o minimalismo acaba sendo visto como uma forma de liberdade. Liberdade da ansiedade. Liberdade do marketing. Liberdade da publicidade e da propaganda. Dos anúncios. Das preocupações. Do consumismo. Da obsolescência programada (aquela programação que a indústria faz para que os produtos tenham uma data para serem inutilizados e descartados depois de um tempo determinado). Das preocupações. Do medo de se sentir excluído ou por fora da modinha do momento.

Lembrando, mais uma vez, que isso não significa que o minimalismo demoniza a posse de objetos materiais. Ele busca reflexão contínua sobre o significado de ter aquilo, de maneira a fazer com que não caiamos na armadilha de priorizar objetos em vez de relacionamentos, saúde e aspirações pessoais e profissionais. É uma ajuda para tomar essas decisões mais conscientes e de forma mais deliberada, reavaliando sempre as prioridades e se livrando de excessos eventualmente tóxicos.

Estilos de vida minimalistas

Resolvemos separar aqui alguns exemplos de hábitos minimalistas para você fazer um check-list ou, se achá-los interessantes, poder adotá-los em sua rotina.

1 – Priorização de experiências em vez de compras

Está cada vez mais comum que pessoas de gerações mais novas prefiram investir em intercâmbios, viagens ou outras experiências em vez de comprar carro e casa, por exemplo.

Se você prefere um mochilão com amigos em vez de um carro novo, é muito provável que você esteja orbitando no minimalismo.

Isso porque um dos principais pilares do movimento é não acumular coisas, consumir de modo consciente e prezar pelas experiências em detrimentos dos mais diversos bens materiais.

2 – Qualidade na alimentação e zero desperdício

O estilo de vida minimalista também está presente na geladeira e na despensa.

Geralmente, pessoas minimalistas compram só o que precisam, sem ceder à grande atratividade de itens das gôndolas de supermercado, visando ao essencial e ao desperdício zero.

Um comportamento comum também é dar preferência a alimentos naturais e saudáveis em vez de comprar coisas supérfluas e prejudiciais à saúde, como embutidos, enlatados e outros tipos de produtos industrializados.

3 – Preferir aplicativos de mobilidade ou bicicleta em vez de carro

Outro comportamento comum entre os minimalistas é a troca do automóvel próprio pela bicicleta ou por carros acionados por aplicativos de mobilidade.
Menos um carro na rua significa menos emissão de poluentes e ainda pode garantir melhor convívio social, qualidade de vida e apreciação da paisagem e do ar livre. A gente já falou um pouco sobre economia compartilhada em outro post, vale a pena dar uma olhadinha.

4 – Organização de e-mails, lembretes e da memória do celular

Você tem o hábito de esvaziar sua caixa de e-mails com frequência, o whatsapp e até mesmo eliminar aplicativos do seu smartphone?

E de organizar seus compromissos via planner, agenda, grupo contigo mesmo, rascunhos ou post-its? Parabéns, você está flertando com o minimalismo.

Esses pequenos métodos, que ao final das contas visam a evitar desperdício de atenção e tempo, estão super dentro do conceito.

5 – Menos roupas

Já pensou na possibilidade de viver com 33 peças de roupa, como Zuckerberg?

Pois saiba que existe uma corrente super-robusta de minimalistas que vive à base do projeto 333. Trata-se de um plano que consiste no uso de apenas 33 peças de vestuário.

Antes que você pergunte, sim. Dentro do número 33 estão inclusos calças, bermudas, shorts, peças íntimas e até mesmo calçados e meias.

A ideia do projeto é sempre evitar comprar roupas que não sejam básicas e absolutamente necessárias. Como Zuckerberg, a membresia também não quer “perder tempo” e “gastar energia” escolhendo o look do dia em vez de salvar o mundo.

6 – Mais organização, mais espaço

Você é daqueles que diz sofrer de desorganização, mas que se acha na sua bagunça? Vai ver é hora de dar uma repensada nisso aí.

No minimalismo há tendência de uma distribuição harmoniosa dos objetos para facilitar a rotina, tornando-a mais prática e confortável.

7 – Cores clean

Até na arquitetura e na decoração o minimalismo se intromete. Mas no bom sentido!

Minimalistas têm pavor de excesso na decoração e gostam de cores clean, como cinza (lembre-se da camisa do tio Zuck), branco e preto.

E não ache essa opção cafona, viu? Pois uma das tendências que mais crescem em design é justamente a minimalista.

Dicas para desapegar

Se você quer ser mais desapegado, mas ainda encontra dificuldades, separamos também algumas dicas de especialistas em psicologia humana para te ajudar nesse – talvez doloroso – processo. 

Confira abaixo e depois conte para a gente o que achou.

1 – Olhe seu guarda-roupa, recolha friamente todas as peças que você não usa mais e separe aquelas que estiverem em boas condições para doação. As demais, jogue no lixo ou busque alguma forma de reaproveitar, como uso para limpeza da casa.

2 – Pegue todos os livros que você tem certeza que não irá mais ler e separe para doação ou cogite ganhar dinheiro com o aluguel de livros. Grupos de troca de ou sebos também são ótimas opções, assim como bibliotecas públicas.

3 – Saia à caça de todos aqueles objetos que absolutamente ninguém da casa mexe. Uma pista é que eles normalmente também ficam em um móvel que ninguém põe a mão. Quem sabe divulgue esses itens em uma plataforma de aluguel de itens. Pelo menos você ganhará uma graninha.

4 – O que ocupa espaço, mas não serve para nada? Quase todos nós temos algo assim em algum canto da casa, dentro de uma caixa, de uma mala ou dos armários. Faça uma espécie de auditoria e dê uma finalidade digna para as bugigangas.

5 – Não separe os objetos para doação e espere que o universo faça isso por você. Se separou para essa finalidade, dê a devida destinação o mais rápido possível para evitar que se torne um novo monte de zero serventia.

Referências em minimalismo

Neste ponto do artigo, gostaríamos de compartilhar algumas obras que podem te ajudar a se inteirar mais do universo do minimalismo.

Vamos lá?

Livros

O Estilo De Vida Minimalista: Como gerar mais valor em sua vida com menos

Nessa obra, Ryan Jones tem o intuito de te ajudar a desenvolver a visão minimalista em um mundo que ainda valoriza tanto consumo e posse.

Em vez de “ser é melhor do que ter”, o autor gosta de usar “use coisas, ame pessoas”. A obra é um verdadeiro convite para desapego dos bens materiais e de seus excessos e com isso ter espaço para foco no essencial e uma vida com mais liberdade.

O livro é bastante curto, provavelmente tentando ser coerente com o tema. Ao todo, são apenas 45 páginas.

Essencialismo: A disciplinada busca por menos

Outra dica bacana é o livro Essencialismo, de Greg McKeown, considerado um dos livros mais vendidos do The New York Times.

Na obra, McKeown se dirige às pessoas que se sentem sobrecarregadas, subutilizadas, muito ocupadas, mas ao mesmo tempo pouco produtivas.

Nessas pessoas, Greg busca despertar a atenção para o essencialismo e o trata mais do que uma técnica ou estratégica, mas como um método assertivo para identificar o que é essencial, descartar todo o resto e focar no que realmente importa.

Ele também toca em um assunto sensível para boa parte das pessoas: o fato de muitas das vezes fazermos coisas somente para agradar aos outros, abrindo mão do nosso poder de escolha e, ao mesmo tempo, desperdiçando nosso tempo e nos tornando infelizes.

A Casa Minimalista: Guia prático para uma vida livre de excessos materiais e com novo propósito

Nesse livro super bem avaliado, Joshua Becker, uma das principais autoridades em minimalismo, critica o tanto de dinheiro que gastamos na compra de objetos para nosso lar.

Ele também critica todo o tempo gasto na organização, na limpeza e na manutenção dessas coisas e ainda assim termos a percepção de que nossa casa não parece o local ideal para morar.

Nesse sentido, a obra apresenta um jeito de viver diferente, com menos coisas em casa e mais espaço e tempo para apreciar o que de fato vale a pena.

Mente minimalista: Minimalismo como um novo estilo de vida

Gianini Ferreira trata nessa obra sobre picos de afazeres, nossa forma irresponsável de lidar com nossos recursos naturais e os efeitos colaterais que sentimos em razão desse comportamento nocivo.

Diante de alguns questionamentos, o livro busca apontar o minimalismo como uma das saídas para encontrar a felicidade ao usarmos ele como uma ferramenta de transformação pessoal.

A mágica da organização

Marie Kondo, a guru global da organização, não poderia estar de fora da nossa lista de livros para você que se interessa por minimalismo.

A japonesa desenvolveu uma metodologia considerada inovadora para acabar com a bagunça, respeitando o sentimento que temos pelos objetos.

Usando a metodologia, Kondo defende que o adepto será rodeado apenas de coisas que ama e, consequentemente, será feliz. Que tal dar uma conferida?

Documentário

Não podemos terminar este artigo sem recomendar “Minimalismo: Um documentário sobre as coisas importantes”.

O impactante documentário, idealizado por Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus, tem potencial para ser um divisor de águas em sua vida no processo de entender com o quê, afinal, você deve se importar.

Vamos conversar

Esperamos que este artigo tenha sido muito útil no processo de entender sobre o minimalismo e em como ele pode afetar positivamente sua rotina e seu modo de ver e levar a vida.

Por isso, também gostaríamos que você contasse para a gente nas nossas redes sociais o que achou e se vai compartilhá-lo com amigos e familiares.

Que tal?