Consumo Consciente, Sustentável ou Economia Verde?

Definitivamente, todos nós consumimos recursos do planeta ao realizarmos tarefas cotidianas, desde as mais simples às mais complexas. É assim quando vamos escovar os dentes, tomar banho, lavar a louça, abastecer o carro, fazer as refeições e colocar o celular para carregar, por exemplo.

Isso tudo é consumo e você já teve N exemplos agora há pouco de como ele opera na nossa vida. 

Mas e o consumo consciente? Você sabe do que se trata?

Para começo de assunto, é bom destacarmos para você que consumo consciente e consumo sustentável têm sido discutidos quase que como sinônimos. Então neste artigo não iremos expor as possíveis diferenças entre eles. Tudo bem?

O que é o consumo consciente e sustentável?

Por que consumir, o que consumir, como consumir e de quem consumir? 

Essas são quatro perguntinhas que podem ser feitas a nós mesmos quando decidirmos comprar algo. Ao realizar esse exercício estaremos visando a um equilíbrio entre nossa mera satisfação pessoal e a sustentabilidade do nosso planeta e garantindo o futuro das novas gerações e também de todas as demais formas de vida.

Pode parecer exagero, mas não é. Basta ver que anualmente estamos chegando cada vez mais cedo ao fatídico Dia da Sobrecarga da Terra (overshoot day). 

Se você não sabe o que é, fica tranquilo(a), pois vamos explicar agora. Em 2020, esse dia foi alcançado em 22 de agosto. Isso significa que, a partir dessa data, até 31 de dezembro de 2020, nós demandamos mais recursos naturais da Terra do que o planeta é capaz de regenerar em um ano.

Em termos gerais, precisamos atualmente de cerca de 1,6 planeta para suprir toda a nossa demanda, colocando a Terra numa espécie de cheque especial. Esse cálculo é feito desde 1961 pela Global Footprint Network por meio da divisão da biocapacidade do planeta pela pegada ecológica da humanidade multiplicada pelo número de dias do ano.

Essa tal de “pegada ecológica da humanidade” envolve a emissão de gases de efeito estufa da geração de energia, área construída para habitação, produtos florestais para manufatura de madeira e papel e agricultura e pecuária para produção de alimentos e pesca.

Infelizmente o overshoot day veio para atestar que quanto mais pessoas no planeta, menos cada um de nós poderá usufruir dele, porque a tendência “natural” é de aumento do consumo, o que leva a destruição de habitats, extinção de espécies e esgotamento dos recursos naturais. 

E é por não, necessariamente, conseguirmos resolver o problema da sobrecarga populacional, que entramos na seara do consumo consciente e sustentável. Por meio dele, se torna essencial educarmos e empoderarmos os indivíduos para a adoção de hábitos que visem à sustentabilidade do planeta.

Comportamentos mais conscientes dos brasileiros

Uma pesquisa bem bacana realizada em 2018 pelo Instituto Akatu, com patrocínio de O Boticário, Unilever, Cargill, Natura, Coca-Cola e ONU, mostrou quais são os hábitos conscientes mais adotados pelos brasileiros. O primeiro lugar ficou por conta do "evitar deixar lâmpada acesa", citado por 78% dos entrevistados. Ele foi seguido por "fechar a torneira", “desligar eletrônicos quando não estão em uso", "esperar o alimento esfriar antes de pôr na geladeira", "planejamento das compras de alimentos " e "uso do verso das folhas de papel".

Felizmente, a pesquisa também identificou crescimento no número de pessoas que já incorporaram mais de cinco práticas sustentáveis em seu dia a dia. Elas passaram de 32% em 2012 para 38% em 2018.

Princípios do consumo consciente e sustentável

O Instituto Akatu também difunde os 12 princípios do consumo consciente e sustentável, de maneira a fazer com que venhamos a usufruir dos recursos naturais de forma diferenciada, tendo no consumo um instrumento de bem-estar e não com fim em si mesmo.

Com essa finalidade, os 12 princípios do consumo consciente e sustentável são:

1. Planeje suas compras: Não seja impulsivo nas compras. A impulsividade é inimiga do consumo consciente. Planeje antecipadamente e, com isso, compre menos e melhor. E se você trocar a compra pelo aluguel de itens?

2. Avalie os impactos de seu consumo: Leve em consideração o meio ambiente e a sociedade em suas escolhas de consumo.

3. Consuma apenas o necessário: Reflita sobre suas reais necessidades e procure viver com menos. Conheça o novo aplicativo de economia compartilhada que ajuda você nessa tarefa.

4.Reutilize produtos e embalagens: Não compre outra vez o que você pode consertar, transformar e reutilizar.

5.Separe seu lixo: Recicle e contribua para a economia de recursos naturais, a redução da degradação ambiental e a geração de empregos.

6.Use crédito conscientemente: Pense bem se o que você vai comprar a crédito não pode esperar e esteja certo de que poderá pagar as prestações.

7.Conheça e valorize as práticas de responsabilidade social das empresas: Em suas escolhas de consumo, não olhe apenas preço e qualidade do produto. Valorize as empresas em função de sua responsabilidade para com os funcionários, a sociedade e o meio ambiente.

8. Não compre produtos piratas ou contrabandeados: Compre sempre do comércio legalizado e, dessa forma, contribua para gerar empregos estáveis e para combater o crime organizado e a violência.

9. Contribua para a melhoria de produtos e serviços: Adote uma postura ativa. Envie às empresas sugestões e críticas construtivas sobre seus produtos e serviços.

10. Divulgue o consumo consciente: Seja um militante da causa. Sensibilize outros consumidores e dissemine informações, valores e práticas do consumo consciente. Monte grupos para mobilizar seus familiares, amigos e pessoas mais próximas.

11.   Cobre dos políticos: Exija de partidos, candidatos e governantes propostas e ações que viabilizem e aprofundem a prática de consumo consciente.

12.  Reflita sobre seus valores: Avalie constantemente os princípios que guiam suas escolhas e seus hábitos de consumo. Planeje suas compras.

Engajamento empresarial

Conforme você viu nos princípios acima, um dos tópicos diz respeito à responsabilidade social das empresas. Já há algum tempo o setor privado também entendeu que o consumo consciente, ou sustentável, não é apenas uma questão de responsabilidade social, mas de competitividade.

Inclusive, uma pesquisa realizada pela First Insight mostrou em 2020 que as novas gerações (em especial a Z) estão cada vez mais dispostas a pagar mais por marcas sustentáveis, o que tem movimentado diversos setores econômicos, em especial o varejo, para a crescente demanda de produtos eco-friendly.

Nessa linha, voltando um pouco no tempo, surgiu no nosso país o chamado Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). Ele foi fundado em 1997 por grandes corporações. O Conselho é caracterizado como uma associação civil sem fins lucrativos, que promove o desenvolvimento sustentável por meio de articulação junto a governos e à sociedade e divulga conceitos e práticas atualizadas sobre o relevante tema.

Entre as mais variadas iniciativas que existem no meio empresarial para adequar os processos produtivos ao princípio de respeito dos limites dos recursos naturais e humanos podemos citar investimento em reciclagem, diminuição de emissões de poluentes e até mesmo a conscientização dos próprios consumidores sobre a forma ideal de consumir produtos da marca.

E quanto à economia verde?

Agora que você já está fera em consumo consciente e sustentável é hora de falarmos sobre a economia verde.

Esse conceito diz respeito a um conjunto de processos produtivos - podem ser comerciais, industriais, agrícolas e de serviços - que ao ser aplicado em determinado local pode gerar nele um desenvolvimento sustentável que beneficie o meio ambiente e, por consequência, a sociedade.

Essa expressão se popularizou na década de 90, com a realização da Rio-92 (Uma conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro-RJ), substituindo o conceito de "eco desenvolvimento". 

De acordo com estudos, a economia verde tem como característica a redução da emissão de carbono, a busca pela eficiência no uso de recursos naturais e a inclusão social e tem sido aplicada por empresas, governos e sociedade na formulação de políticas públicas e iniciativas privadas.

Com a adoção dos conceitos sustentáveis, essas organizações acabam ganhando em troca a confiança de comunidade, clientes, mercado, investidores e consumidores, e veem seus valores e percepção de imagem aumentarem - assim como a competitividade, citada lá em cima.

Logística reversa, eficiência energética, alimentação saudável, segurança e reciclagem são alguns dos fatores visados pelos adeptos à economia verde. 

Vantagens da economia verde

Segundo especialistas do meio ambiente e da economia, a aplicação dos processos de economia verde ainda dá às nações benefícios como redução do desemprego, alavancagem do progresso econômico, combate às causas do aquecimento global e ao consumo irracional.

Além disso, novos modelos econômicos baseados em tecnologias móveis, que conectam o cliente ao fornecedor de produtos e serviços de forma rápida e eficiente (Uber, 99, Cabify, Buser, e etc), também é visto como um benefício da economia verde, na medida em que funde responsabilidade social e ambiental com estratégia econômica.

Mais exemplos de economia verde

Alguns dos exemplos de empresas que mais se beneficiam, e consequentemente beneficiam a sociedade, da economia verde vêm das construtoras.

Ao usar madeira certificada e de reflorestamento, reduzir o consumo de energia e promover a iluminação natural e a eficiência energética, essas empresas obtêm um diferencial de mercado e conseguem se sair melhor do que as concorrentes na hora de vender um apartamento, por exemplo.

O próprio sistema financeiro está super aberto ao movimento e já associa a liberação de crédito para companhias com projetos ligados à redução de emissão de carbono, eficiência no uso de recursos naturais, entre outros. Segundo levantamento da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), os empréstimos para a economia verde deram um salto de 233% entre 2013 e 2017, quando foram registrados R$ 412,3 bilhões. Muito dinheiro, né?

Empecilhos para o consumo consciente e sustentável

Sim, nem tudo são flores e a própria pesquisa do Instituto Akatu mostrou isso ao pontuar as principais barreiras e gatilhos para o consumo de produtos sustentáveis. Foram apontados problemas como o esforço (que envolve preço), espaço, privação de prazeres e desconfiança.

Por outro lado, também foram identificados diversos gatilhos positivos para o consumo sustentável, sendo os principais o combate ao trabalho infantil, a não discriminação de funcionários, a inclusão de pessoas com deficiência e o oferecimento de boas condições de trabalho.

Será que você é um consumidor consciente? 

O quanto será que seu poder como consumidor pode influenciar sua vida e a vida das outras pessoas e de todo planeta?

Para responder a essa pergunta te convidamos a realizar um teste super rápido que criamos especialmente para você descobrir se você é um consumidor consciente.

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