Você Sabe Quais São os 5 Rs da Sustentabilidade?

Você já ouviu falar sobre os 5 Rs da sustentabilidade? Basicamente, são cinco pilares (repensar, recusar, reduzir, reutilizar, reciclar) que constituem um “estilo de vida” que se preocupa com a diminuição da geração de resíduos no planeta, gerando benefícios para todas as formas de vida que aqui habitam.

Mas antes de falarmos mais detidamente sobre os 5 Rs da sustentabilidade, precisamos primeiro ter certeza de que esse conceito está na ponta da língua.

Afinal de contas, o que é sustentabilidade?

Velho conceito, nova preocupação

Sabia que o conceito de sustentabilidade completou 33 anos em 2020? Muita coisa, né? Mas dificilmente você ouvia falar tanto dele como nos dias de hoje.

Fazendo uma conta básica (2020 – 33) chegamos ao ano de 1987. À época, o conceito de desenvolvimento sustentável foi apresentado pela primeira vez no relatório Nosso Futuro Comum, da WCED (Comissão Mundial do Meio Ambiente e Desenvolvimento), instituída pela ONU (Organização das Nações Unidas) e liderada pela então primeira-ministra norueguesa, Gro Brundtland.

Esse relatório ficou conhecido como Relatório Brundtland e, em linhas gerais, traçava, pela primeira vez – ao menos de forma tão consistente – que precisávamos, enquanto humanidade, reconhecer que os recursos naturais são finitos.

Dessa forma, desenvolvimento sustentável seria nossa capacidade de atender às necessidades do presente sem comprometer as gerações futuras de também atenderem suas necessidades.

Mas o conceito não nasceu do nada, em 1987.

Quinze anos antes (ou seja, 1972), já víamos as bases dele nascerem na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, conhecida como a Conferência de Estocolmo (por ter sido realizada na capital da Suécia). Essa também foi a primeira conferência sobre meio ambiente realizada pela ONU.

Ok. O que é então ser sustentável?

Agora que você sabe como surgiu o conceito de sustentabilidade e desenvolvimento sustentável, avançamos para o que é ser sustentável.

Apesar de parecer algo difícil, chato ou inalcançável, ser sustentável é se preocupar com os recursos naturais do nosso planeta de maneira a impedir que eles faltem para o nosso próximo daqui a alguns anos.

Para ser sustentável, não é preciso criar uma grande indústria de despoluição dos oceanos ou uma ONG (Organização Não Governamental) global de reflorestamento. Por meio de pequenas ações, no dia a dia, isso é plenamente possível.

Economizar água, evitar o consumo de plástico, reduzir o consumo de carne, trocar o carro pelo transporte público ou por aplicativos de mobilidade compartilhada e evitar o desperdício de comida são práticas simples que podem contribuir para a preservação do meio ambiente e atendem perfeitamente ao conceito de sustentabilidade.

Dessa forma, estamos contribuindo para que a equação do que “entra” e o que “sai” no meio ambiente esteja em equilíbrio, fazendo com que o consumo permaneça estável ou, quem sabe, entre em declínio.

Conta negativa

Infelizmente, no momento presente a nossa situação não está nada favorável, segundo a Global Footprint Network. Essa ONG criou o chamado Dia de Sobrecarga da Terra, que mostra, anualmente, quando teremos consumido todos os recursos (água, madeira, solo, alimentos…) em volumes superiores ao que o planeta Terra dispõe e que é capaz de renovar.

Dados de 2020 mostram que hoje em dia esse limite ocorre cinco meses antes de o ano acabar. Ou seja, nosso consumo está muito acima da capacidade de oferta do planeta, o que é muito grave, principalmente considerando que esse déficit é cumulativo e a população da Terra não para de crescer.

Nesse ritmo, como estaremos em 2030? Provavelmente nada bem.

Essa situação só mostra o quanto precisamos adotar, o mais urgente possível, os 5 Rs da sustentabilidade. Abaixo vamos falar de um por um. Vem com a gente.

1. Repensar

Praticamente tudo na vida pode partir de um ponto de reflexão. De olhar para dentro para analisar e avaliar se nossas atitudes estão em consonância com a vida e com o mundo que objetivamos.

Será que eu preciso realmente comprar isso? Será que eu preciso desse tanto de plástico? Será que eu preciso gerar tanto lixo assim mesmo? Eu estou aproveitando os recursos ao máximo ou estou descartando materiais preciosos? Quais os impactos do meu comportamento e do comportamento das organizações?

Essas são perguntas comuns ao universo de repensar hábitos do cotidiano visando a diminuir o nosso impacto sobre o meio ambiente e sobre o nosso planeta. E podemos dizer que ele é o principal ponto de partida para os passos “maiores”.

Olhando de maneira coletiva, repensar fomenta iniciativas corporativas voluntárias e políticas governamentais que contribuem para o avanço na área de sustentabilidade social.

2. Recusar

É preciso aprender a dizer não. Quem nunca ouviu essa frase? Pois saiba que ela não vale apenas para relações amorosas, familiares ou amizades. Ela também é bastante aplicável se você quer ajudar a construir um futuro sustentável.

Precisamos trocar de telefone todo ano? Faz sentido gerar pouco lixo em casa, mas consumir de uma empresa que desmata, emite poluentes desenfreadamente ou polui fontes de água? Certamente não. 

Perceba que precisamos ser críticos em relação ao que consumimos, passando a adotar uma postura religiosa de adquirir apenas aquilo que de fato necessitamos e, de preferência, de organizações que se comprometem com a sustentabilidade.

Um levantamento realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), referente ao período entre 2015 e 2017, mas divulgado somente este ano, mostrou que pouco menos da metade das empresas investiu em sustentabilidade social, com destaque para empresas ecoinovadoras, de eletricidade e gás e de serviços selecionados.

As principais práticas adotadas por elas foram a reciclagem de resíduos; uso de águas residuais ou materiais para venda e/ou reutilização, seguidas por redução da contaminação do solo, da água e do ar. Por outro lado, o levantamento identificou pouca substituição de energia proveniente de combustíveis fósseis por fontes de energia renováveis, como solar e eólica. Segundo as próprias empresas, contribuiu para essa baixa adesão à energia renovável o pouco incentivo, à época, dos governos.

Por outro lado, um estudo recente da First Insight feito com foco no varejo identificou que a geração Z (os nascidos entre 1996 e 2010) está tomando decisões de compra baseadas em práticas sustentáveis. Mais de 60% dos participantes afirmou que prefere comprar de marcas que se preocupam com o planeta.

E as marcas, principalmente as mais novas, estão entendendo esse recado e já fazem questão de dar transparência às suas ações de compromisso ambiental e responsabilidade social. No Brasil, podemos destacar iniciativas da Natura, da Ypê e da Reserva. Sem contar, é claro, empresas cuja natureza já é ligada à sustentabilidade. São os casos de Uber, Cabify, 99 e Buser, que contribuem para a redução da emissão de carbono na atmosfera.

Não há desculpa para continuar comprando de marcas irresponsáveis. Opções existem.

3. Reduzir

Somos consumistas. Ponto. Desde o pós-guerra passamos a adquirir coisas desenfreadamente para facilitar nossa vida sem se preocupar se teríamos espaço para acumular tanta coisa e descartar de forma correta sem afetar nossos recursos naturais, nossa vida e a vida dos demais seres da nossa “casa” Terra. 

A consequência nós já sabemos, mas na segunda metade de 2018 o Instituto Akatu divulgou uma pesquisa que atestava o quanto não somos conscientes. A pesquisa apontou que quase 80% dos mais de mil entrevistados não praticavam o consumo politicamente correto.

Mas o tempo, felizmente, tem passado e nossa consciência vem sim aumentando. Em dezembro de 2020 uma pesquisa inédita realizada pelo GFI (The Good Food Institute Brasil) junto ao IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) apontou que consumidores reduziram o consumo de carne bovina. E antes de interpretações relacionadas ao aumento dos preços na época da pandemia da covid-19, sabia-se que a redução do consumo se deu inclusive em classes sociais altas (A e B).

Na prática, a pesquisa atesta que o mercado plant-based (dieta baseada em alimentos vegetais) virou uma realidade no Brasil diante do oferecimento de alternativas que possuem as mesmas características sensoriais do produto animal – e que são muito menos danosas ao meio ambiente, por não exigirem grandes áreas de pastagem e a criação de milhares de animais, que afetam significativa água, solo e ar.

Os principais consumidores desses alimentos vegetais que simulam a carne animal são mulheres e jovens. E esses jovens, particularmente, têm optado pelas opções vegetais por preocupações ambientais e consciência social.

Precisa substituir carne por vegetais para reduzir nosso consumo e ajudar o mundo? Não necessariamente, apesar de ser um caminho legítimo e viável. Há vários hábitos que podem contribuir e muito para esse pilar, como uso de lâmpadas econômicas; uso de embalagens retornáveis; uso de canecas em vez de copos plásticos descartáveis; uso de frente e verso do papel e troca de roupas entre amigos, familiares e/ou conhecidos. Mas isso falaremos mais a fundo no pilar de reutilização.

4. Reutilizar

Muito do que descartamos pode ser reaproveitado novamente, diminuindo a quantidade de resíduos que irão para o lixo e outros destinos – muitas vezes – totalmente incorretos, como mananciais e aterros clandestinos. Fora isso, ainda costumam gerar uma boa economia doméstica.

É plenamente possível transformar borra de café em adubo; papelão em arranhadores para gatos; jornais em objetos para o lar; cobertores e toalhas velhos em caminhas para pets; sobras de alimentos em compostagem; embalagens em potes para guardar comida; roupas velhas em panos de limpeza para a casa; escovas de dentes em limpadores de lugares de difícil acesso e tubos de papel higiênico em artesanato.  

Viu quantas dicas simples em apenas um parágrafo? Colocando a imaginação e a disposição para funcionar, sempre haverá uma forma de reutilização correta para itens que você pretendia descartar.

Vale destacar que o princípio de reutilização também é a base para negócios que surgiram com o advento da economia compartilhada no mundo todo. Brechós de roupas, bolsas e calçados são cada vez mais comuns, assim como a venda de objetos, brinquedos, eletrônicos, móveis, veículos, ferramentas e eletrodomésticos usados, feito aos montes em plataformas como Mercado Livre e OLX. 

No fim de 2019, um levantamento realizado em todas as capitais brasileiras pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) revelou os produtos usados preferidos pelos consumidores. Vinte e oito por cento deles adquiriram algum item de segunda-mão pela internet durante o ano da pesquisa. Já entre os jovens o percentual chegou a 39%. 

Dos que compraram itens usados, os mais adquiridos foram smartphones (29%), eletrônicos (27%), roupas e calçados (26%), eletrodomésticos (18%), móveis (17%) e brinquedos e artigos infantis (16%). Por outro lado, a pesquisa também quis saber o que as pessoas mais têm vendido. O ranking é um pouco semelhante. A maioria (28%) coloca eletrônicos à venda. Em seguida vêm roupas e sapatos (24%) e eletrodomésticos (21%).

Nem precisamos nos estender mais para mostrar que você não precisa ter vergonha de vender ou comprar um item usado, certo? Reutilizar é – literalmente – vida. Economiza no bolso e poupa o planeta.

5. Reciclar

Finalmente chegamos ao último item, cujo nome você vem ouvindo desde o jardim de infância – se é que ainda chamam o ensino infantil assim. Reciclar é basicamente reaproveitar um produto de maneira que ele se torne matéria-prima para a fabricação de um outro objeto. 

Você já sacou, mas a importância de reciclar é reduzir a quantidade de lixo gerado e também reduzir a utilização in natura dos nossos recursos naturais.

Para refrescar sua memória, vamos relembrar o tempo de decomposição de alguns resíduos que lançamos na natureza: enquanto itens orgânicos – como frutas, verduras e etc – levam de dois a 12 meses, o papel leva de três a seis. A garrafa plástica demora 400 anos, o alumínio até 500 anos e o vidro mais de 4.000. O cigarro demora cinco anos, assim como o chiclete, e aquele corpo plástico “simpático”, 50 longos anos.

O pano demora até um ano, a madeira 13 anos, as latas de conserva um século, a fralda descartável 600 anos e a linha de nylon, muito utilizada em varas de pesca, 650 anos. Fácil entender por que estamos ameaçados de extinção?

Esse refresco da sua memória de criança é para mostrar que, em tese, desde pequenos sabemos o que é reciclagem, por que ela é importante e o  longo tempo que o planeta precisa para deteriorar resíduos que usamos e descartamos no dia a dia. Pena que a realidade é bem diferente.

A pesquisa Um Mundo Descartável — O Desafio das Embalagens e do Lixo Plástico perguntou se as pessoas acham que as regras de reciclagem de lixo doméstico são claras no Brasil. Mas o resultado apontou que 54% dos entrevistados disseram que não. Ou seja, menos da metade das pessoas entendem o funcionamento da coleta seletiva – quando ela existe, né? 

Apesar do resultado ter sido ruim em relação a outras nações, o que nos animou é que aqui no Brasil, apesar da falta de informação ainda ser um desafio, as pessoas se mostraram mais abertas a mudanças e mais dispostas a mudar seus hábitos. Sessenta e oito por cento dos entrevistados disseram, por exemplo, que mudariam o local onde compram produtos se isso significasse usar menos embalagens. Além disso, 71% deles concordaram que precisamos banir completamente o uso de plásticos descartáveis.

Por outro lado, 77% das pessoas concordaram que as empresas deveriam ser obrigadas a ajudar com a reciclagem e o reuso de embalagens que produzem e 76% veem com bons olhos as marcas que fazem mudanças para alcançar melhores resultados ambientais. Chegou a correr uma lágrima de esperança aqui!

Para terminar, e ajudar a galera que ainda não compreendeu como pode ajudar o planeta por meio da reciclagem, vamos compartilhar aqui algumas regrinhas – definidas por entidades ambientais de referência, como o WWF (World Wide Fund for Nature).

Embalagens plásticas que contêm líquidos ou alimentos precisam ser levadas e colocadas no lixo reciclável sem tampa;

Vidros também precisam ser lavados e, se tiverem quebrados, precisam ser separados em caixas de papelão ou envoltos em jornal para não ferir o coletor;

• Metais, como latas de de alumínio, precisam ser prensados, se possível;

Caixas de papelão precisam ser desmontadas;

Papéis não podem ser metalizados e precisam estar secos;

Resíduos orgânicos, papéis engordurados ou sujos e embalagens plásticas metalizadas não são recicláveis.

E então, decorou os 5 Rs da sustentabilidade? Quantos você já tinha incorporados no seu dia a dia? Lembre-se de que –  ao menos por ora – não é tarde para começar a incluí-los na sua rotina de vida e também não custa nada ajudar outras pessoas a entender a importância desses conceitos, né?

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